my friends,
I read the newspaper and saw that soemeone has just had a heart attack or something quite similar
( aneurism) and that nobody helped him till next morning. He is alive in a hospital. And so wrote this article. Wish you could translate to your native language.
Alberto é um negro, talvez
mulato. Tem um biótipo de ascendência africana, dos nativos daquele belíssimo
continente. Tem o sorriso aberto e os dentes alvos dos nascidos lá. Sua gente,
no início de nossa história era escrava. Servia as pessoas nos afazeres
domésticos e carregava-as na liteira, sob os ombros delineados pelo dorso nu,
descamisado. Carregava também suas latrinas mal cheirosas no topo de suas
cabeças escravizadas, como o próprio corpo, em seu pensar, em seu desejo de
estudar. Com o tempo, essa gente mostrou o seu valor, as suas inegáveis
qualidades culturais e a sua contribuição para a formação de nosso país é de um
valor imensurável. Apesar de nem sempre nossa gente, européia ou africana,
reconhecer isso. Se antes éramos uma selva quase inabitada hoje parecemos ser
uma selva densamente habitada. Temos medo do próximo, de conhecer o próximo, de
ajudar o próximo. Feras que se entreolham, assustadas.
Foi assim com Alberto,
infelizmente. Trabalhador, ele empregou-se no shopping, pelo que diz a
imprensa, e servia as pessoas no cotidiano da vida alegre dos consumidores em festa. A Casa Grande e a
Senzala agora ocupam o mesmo espaço físico e as pessoas, modernos senhores de
engenho e escravos disciplinados, convivem abertamente, mas ainda socialmente
hierarquizados. Descendentes de africanos não mais carregam liteiras, pois
dirigem automóveis de madames. Não mais carregam latrinas morro abaixo, mas
limpam banheiros. O que importa é que continuam servindo as pessoas, cuidando
delas, especialmente em suas residências. As Donas Maria da vida, solitárias
nos quartinhos de empregada ou amarrotadas nos ônibus que as levam para a
senzala, ao saírem da casa grande, na cidade.
Alberto, depois de trabalhar,
pensou fazer o mesmo. Amarrotar-se em um transporte coletivo e ir em direção
aos seus, à sua família. Depois de atender pessoas, de ajudá-las o dia inteiro
caminhou em direção ao seu destino ancestral. Caminhou e caiu. Sem forças,
incapaz. Tempos atrás, se houvesse um capataz, teria sido açoitado, teria
apanhado, certamente. Mas não, pior do que isso foi desconsiderado. Como se não
existisse. Foi desprezado e ali ficou jogado nas escadarias do palácio Domingos
Martins sem ajuda, até quase morrer. Foi ajudado, oito horas depois, por um
cidadão que não teve medo do próximo. Que retribuiu o que a gente de Alberto
fez por esse país. Como Domingos Martins, herói nacional nascido em Itapemirim,
que lutou pela liberdade do Brasil, morreu fuzilado em 1817 e hoje está no
livro dos heróis da Pátria. Essa mesma pátria cuja gente tem medo de ajudar sua
própria gente.
Nenhum comentário:
Postar um comentário